31 de março de 2014

ZOMBIE STYLE


Durante a noite, quando a Zola chora do quarto dela eu levanto-me para a ajudar, e não preciso de acender as luzes. O meu cérebro já decorou o caminho, faço a gincana toda sem tropeçar em nada, contorno a cama, desvio-me dos sapatos que estão no chão a obstruir o caminho, abro as portadas, e sem bater contra o banco que está no quarto dela consigo chegar ao berço. No escuro consigo agarrar nela, colocá-la numa posição melhor, encontrar a chupeta perdida no meio do edredon e enfiar-lha na boca. Se for hora do biberão, faço o percurso noutra direcção, abro as portadas, passo pelo escritório sem tropeçar no equipamento que costuma estar no chão, desço o degrau, preparo tudo de forma automática, volto ao quarto, e sem acender as luzes dou-lhe o biberão. Quando o leite acaba, geralmente ela atira com o biberão para as grades da cama, porque fica chateada de ter chegado ao fim, e eu levanto-me novamente e vou lá pôr-lhe a chupeta. Esta noite fiz isso tudo, o  meu cérebro estava em excelente forma e cumpriu as tarefas de forma brilhante, mas no meio do percurso dei comigo a pensar se era noite de quarta-feira, ou se amanhã era sexta, ou quinta…em que raio de dia estava eu? Ah, noite de domingo para segunda, lusco-fusco. Nem sempre todas as ligações funcionam a 100%…

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