18 de abril de 2014

VIDA AOS 33


Nestes dias que antecedem os meus 33 anos, estou a ter um blackout criativo e por isso é que não tenho vindo escrever ao blog. Mas os blackouts fazem parte da vida. Já estou a tomar vitaminas. Entretanto decidi que para marcar esta data épica (festejos de 4 dias) deveria escrever sobre as coisas que descobri em 33 anos. Sobre mim e sobre o mundo. Em 33 pontos. Lanço-me às feras, aqui vai:

1. Verdades antigas "Devemos gastar o tempo livre a ficar bem dispostos","a vida não é só trabalho", "saúdinha é que interessa", "quanto mais nos baixamos, mais se nos vê o rabo", essas coisas que os avós costumam dizer, é acreditar. Porque são verdade.

2. Aspecto para que te quero Nunca serei uma senhora bem vestida mas estarei sempre maquilhada. E quando for velhinha vou ser daquelas com o cabelo lilás.

3. Lifestyle & gastronomia Uma panela de pipocas com caramelo pode perfeitamente ser o nosso jantar.

4. Sonhos e objectivos Os nossos sonhos são para acreditar e tentar. Temos que começar por algum lado e às vezes não é mesmo aquilo que tinhamos imaginado, mas para chegar a objectivos é preciso percorrer caminhos, e às  vezes eles são muuuuito compridos e chatos. Não há outra maneira. Ainda assim podemos falhar, mas não há como fazer tentativas, por isso é seguir em frente que atrás vem gente.

5. A crise está na cabeça Não poder comprar camisolas na H&M ou cd's na Fnac não é crise. Crise é viver na rua e isso é um assunto que me deixa transtornada.

6. A dança Provavelmente deveria ter investido numa carreira de dança e não a ser designer. Porque não gastaria tanto tempo atrás do ecrã, e seria certamente mais feliz. Ainda me inscrevi numa escola de dança há dois anos e estava a adorar, até que, enquanto dançava, me deu uma dor abdominal horrenda, descobri que estava de bebé e acabou-se a dança. Sítio certo, hora errada.

7. O contacto Precisamos de estar na natureza. Precisamos de pôr os pés na terra, no mar e na erva e de estar no meio de árvores. Vasos na varanda não chegam.

8. Os outros O mundo não está cheio de gente boa. Também há algumas pessoas estranhas. Mentalmente desequilibradas. Estafermas. Energúmenas. E vivem do outro lado da rua. (Outro segredo: normalmente as que estão armadas ao pingarelho não percebem nada de nada).

9. Os outros II Pode-se dizer mal dessas pessoas. Não tem mal. Nós merecemos e elas também (não das que estão armadas ao pingarelho, só das estafermas).

10. O mundo e o sol no mundo Não posso ir à Austrália, nem à Califórnia, nem ao Brasil, por enquanto, mas posso patinar à beira-mar em Carcavelos, posso ver ondas gigantes na Nazaré, e ir à Costa Vicentina no Verão, que começa quase em Maio. Há boas razões em Portugal para não emigrar, coisa que já fiz e voltaria a fazer se fosse preciso. Mas há nórdicos que davam o dedo mindinho para ter sol das 8h às 20h. Importante: sair de casa e fazer coisas. Há programas que não precisam de bilhete.

11. Capacidade de auto análise Não sou tão organizada como pensava. Mas tenho epifanias de organização.

12. Pecados capitais A quantidade de água que bebo é proporcionalmente inversa à quantidade de doces que como.

13. Crer Deveria ter como objectivo ser mais organizada.

14. Dar com a língua nos dentes O silêncio é de ouro. Principalmente se estivermos para dizer "vai-se andando". Essa expressão deveria ser erradicada. Isto conta para perguntas, respostas e principalmente quando estamos prestes a falar sobre a vida alheia.

15. O consumo Quando compro uma coisa na Zara, ou na H&M, ou na Mango, e diz na etiqueta "Made in China", "Made in Bangladesh", "Made in outros sítios assim", tenho consciência que para eu ter aquilo na mão há pessoas a trabalhar numa cave. E cada vez me custa mais.

16. Reagir Ter a resposta na ponta da língua é uma coisa que se pode aprender, treinar e dá muito jeito em algumas situações. Não tem que ser falta de educação.

17. Uma filha Não sabemos o que é estar verdadeiramente cansado até termos um bebé. Neste ponto posso fazer uma alínea, que é: esta semana descobriu-se aqui em casa a razão pela qual os bebés choram tanto à noite, sem explicação aparente. Para quem quiser investigar isto é uma curiosidade e pêras. 

18. Amor próprio às paletes Se não gostarmos de nós, se não estivermos em primeiro lugar na nossa lista, se não adorarmos pelo menos uma coisa em nós, ninguém vai adorar. E não vale a pena perder muito tempo a tentar parecer a vizinha do 5º andar, já dizia o Kurt Cobain que é um grande desperdício. Outra coisa que aprendi com a Paulinha: mulher sem barriguinha é uma grande chata, porque ela não come, não bebe, não faz nada de errado. Nunca mais me esqueci.

19. Não desmoralizar Se os estufados não nos saem bem, fazemos bolos. Se os bolos correrem mal, fazemos crepes. Isto aplica-se a tudo na vida. Dar a volta por cima é uma arte.

20. Ser a melhor do meu mundo Adoraria ser exímia numa coisa. Ser a melhor do mundo em qualquer coisa. Mas não sou. Sou boa em várias pequenas coisas e razoável noutras. Ainda estou a tentar descobrir como vou juntá-las todas e ser o supra sumo da batata numa coisa não inventada, que me irá catapular para a fama. Filosofia nova: desde há um tempo para cá, quando faço uma coisa, tento sempre fazer a melhor versão possível. A versão vencedora. Mesmo que isso implique fazer 3 vezes. Antes não estava para isso, mas vale a pena. Principalmente quando tentamos ganhar concursos. E mais, segundo o meu melhor amigo, só temos que ser os melhores do nosso mundo.

21. Capas O que fica bem à Angelina Jolie pode não nos ficar bem a nós. Por isso mais vale sair de casa com coisas que nos façam sentir realmente confortáveis e fieis a nós próprios. Outra coisa que descobri em relação a isto: roupeiros cheios não nos levam a lado nenhum. Menos é mais. Mas há dias de caprichos.

22. A nação Este país precisa de uma revolução. Eu começaria por fazer uma limpeza na área da corrupção. Precisamos de um Robin dos Bosques. Mas isto não é uma descoberta minha, é cultura geral.

23. O que tentam fazer de nós Aos 33 perdi a paciência para ouvir falar da troika, do pib, da dívida pública, da anti-constitucionalidade, e dos discursos inflamados sobre os portugueses mais atingidos. Perdi a paciência e perdi a fé. Portanto quando está a dar o telejornal escolho o canal Panda e vejo o Pocoyo com a Zola. Escolho não ouvir.

24. Atitude Tenho consciência de que se todas as pessoas de 33 anos tiverem esta atitude, não vamos a lado nenhum. Mas já levantei o rabo do sofá muitas vezes. Estou só num período sabático.

25. Propriedade Não precisamos de acumular muitas coisas para sermos felizes. Não precisamos de comprar um apartamento, um carro para cada pessoa, uns móveis rococó, um serviço fino dos que ficam no armário para as visitas, candelabros, desumidificadores… depois é mais difícil mudar e limpar o pó.

26. Café A energia súbita que temos aos 23, que nos deixa aguentar na discoteca a noite inteira sem precisar de dormir e ir trabalhar no dia seguinte, foi programada pelo organismo e pela natureza para podermos ter bebés. Essa energia destina-se a ficar a noite inteira acordada para poder tratar do bebé e aguentar. Mas nessa altura não temos bebés, estamos na night. Nem nos lembramos disso. Aos 30 sim, temos bebés e pensamos que essa energia dava jeito. Vai daí o café torna-se o nosso melhor amigo.

27. Bebé power A nossa bebé é a melhor. Do mundo. Cheira bem, é gordinha, é inteligente que se farta, canta bem, dança bem, brinca bem, faz as melhores birras, tem os melhores totós, a melhor personalidade. Tudo em bom. Tem poderes. 

28. Viagens e concertos precisam-se As viagens que fiz não chegam. Os concertos a que fui também não. Preciso de mais. Muitos mais.

29. Séries da vida Ser boa namorada é esperar que ele chegue a casa à meia-noite para vermos a Guerra dos Tronos juntos, mesmo sabendo que vai adormecer nos primeiros dez minutos. Às vezes não faço isso. Mas não me importo de ver o episódio duas vezes só para lhe fazer companhia. Também conta.

30. Flexibilidade e confrontos Depois dos 30 fiquei mais intolerante. Ainda assim tenho muuuuito mais paciência do que as pessoas normais.

31. Viver acompanhada Todos os minutos que passamos com a nossa família, com os nossos amigos, são valiosos. É aproveitar enquanto não nos cai um tijolo na cabeça e manter contactos mesmo com quem está longe. E o mais lindo é que podemos ser punks e ter amigos da realeza. Resulta, apesar das diferenças. Amigos são amigos.

32. Acho que tenho a certeza Estou sempre a dizer a expressão "acho que" para começar frases, ou "acho eu" para concluir frases, mesmo quando tenho a certeza das coisas. Isto precisa de ser  rapidamente corrigido e substituído por "estou certa" e "não podia estar mais convencida".

33. O caminho escolho eu Às vezes é preciso interromper um percurso, desistir de tudo e recomeçar do zero. Já fiz isso algumas vezes e este ano repeti a dose. Custa um bocadinho mas vale a pena, principalmente se estivermos infelizes e acharmos que podemos mudar para melhor. O principal: escolher o que achamos certo e ver a big picture.

E pronto…33 coisas que sei aos 33 anos. Falta um dia para consolidar a sabedoria, mas entretanto já recebi um presente, que foi este maravilhoso par de patins vintage. Quando chegaram a casa, entregues pelos CTT, senti o mesmo que uma criança de 7 anos sente quando recebe um brinquedo e comecei a patinar no corredor. Foi aí que tive ainda mais a certeza que aos 33 continuo miúda. Não mudou nada, afinal esta conversa dos trintas é mito. Bring it on! 

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