30 de maio de 2014

NOVA ESPIGA


OLIVEIRA azeite e paz, MALMEQUER ouro e prata, PAPOILA amor e vida, 
ESPIGA (trigo ou cevada) pão e abundância, ALECRIM saúde

"As águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam".
Lembro-me de andar na escola primária e sair de manhã com a professora e os outros meninos para percorrer os campos e apanhar flores silvestres para fazer a Espiga. Não sei porquê, desde que vim viver para Lisboa, em 2008 ou 2009, criou-se o hábito de ter sempre a Espiga em casa, pendurada atrás da porta e de pernas para o ar. Este ano não falhámos: fui ao Rato de propósito à procura de alguém a vender Espigas. Encontrei duas ciganas muito jeitosas e aprumadas e disse-lhes: "Quero o melhor ramo de Espiga que aí tiver, para oferecer a um rapaz." Elas ficaram logo todas sorridentes e com um ar muito cúmplice, de ciganas, apanharam um ramo qualquer e perguntaram: "Pode ser este?". Quando olhei para a banca vi logo que não havia ramos melhores nem piores e aceitei o escolhido. Quando cheguei a casa ainda tive que acrescentar o alecrim. 
Pois bem, este ano, como no anterior, teremos abundância, alegria, saúde e sorte, graças à Espiga. A tradição da Espiga é pagã, mas como todas as tradições pagãs, foi atropelada por um feriado religioso. A original celebra a Primavera, a natureza, as colheitas e comemorava-se com grandes festivais por todo o mediterrâneo. 
Quando cheguei a casa retirei a Espiga do ano passado, que estava pendurada atrás da porta, substituí pela nova e para concluir o ritual enviei ao Manel a fotografia da Espiga via sms (afinal estamos no séc. XXI).

1 comentário: