21 de julho de 2014

ROADTRIP, DIA 4 | Um dia à chuva é da praxe






Hoje foi dia passeio de motos organizado pelo festival Motorbeach. Havia muita coisa em agenda para ver e um dos pontos de maior interesse para mim era a visita aos Picos da Europa. Chegados ao recinto encontramos toda a gente já reunida e apesar de o dia ter começado com um sol radiante, algumas nuvens começaram também a reunir-se em cima das nossas cabeças.
Nunca tinha estado num evento deste tipo, e naturalmente há sempre imensos machos latinos. No meio de todos eles, acontece de vez em quando uma ave rara começar a fazer aceleramentos com a mota parada, que em linguagem masculina significa qualquer coisa do tipo "olhem bem para mim, tenho carradas de testosterona", mas que na verdade só significa que ele tem um cérebro mais pequeno que as outras pessoas e precisa mesmo de ser o centro das atenções. Aliás, não são apenas as mulheres que são vaidosas, nestes eventos, que tendem a ter mais concentração de rapazes, há imensos pavões.
O passeio aconteceu a toda a brida e só abrandamos a subir a montanha, aos esses. Os Picos são muito bonitos, com lagos no meio das montanhas e vacas por todo o lado, mas têm qualquer coisa turística que tira um bocadinho de personalidade ao sítio.
À medida que o tempo passou, a carga de nuvens foi-se adensando e no regresso viemos a ser perseguidos pelo aguaceiro, que nos apanhou mesmo antes de chegarmos à sidreria. Depois de comer regressámos à estalagem e ficamos debaixo de um alpendre, cada um sentado na sua cadeira, a dizer disparates e a ver desabar uma verdadeira tempestade. Os trovões ribombavam nas paredes das montanhas e provocavam um eco ensurdecedor. Presos pela chuvada e sem fatos de chuva, não tivemos outra hipótese senão ficar ali a ver os raios, à espera de uma aberta.
À hora de jantar voltamos ao recinto do festival e deixamos escapar a hora da refeição, que nos custou uma volta à chuva por vários restaurantes já sem serviço. O resultado foi ficar outra vez sem jantar, e já sem sandes de atum, tivemos que pedir à senhora da estalagem que nos desenrascasse umas torradas. A senhora foi uma querida e acabámos a comer ovos rotos à 1h da manhã.
Apesar da simpatia, e apesar de adorar ovos rotos (que aliás já tinha comido ao almoço), não gostei muito da comida desta zona de Espanha. Põem óleo até no peixe grelhado e não serviram um único legume.

Dica para raparigas motociclistas: uma bolsa de cintura dá montes de jeito. Cabe lá tudo o que é importante, e cada vez que a mota pára não temos que abrir as bagagens.

Continua amanhã.

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