22 de julho de 2014

ROADTRIP, DIA 5 | Não continua amanhã! Perguntas Frequentes












Apesar de ontem nos termos deitado tarde, hoje foi dia de levantar cedo: último dia de viagem. Foi
preciso organizar bagagens e ganhar coragem para enfrentar a chuva, ameaçada pelo boletim metereológico e visível em todas as nuvens que sobrevoavam por ali. E estamos em Julho!
A ideia era sair cedo e fugir à descarga de água, por isso até traçamos uma rota alternativa, anti-nuvem atrevida. Objectivo: 800Km de uma vez.
O sítio mais bonito em que passamos, que terá já perdido parte da sua beleza porque a auto-estrada passa mesmo no meio, foi Caldas de Luna. Montanhas geladas com lagos e uma manada de cavalos a compor a moldura.
A partir daí foi somar quilómetros com muita vontade de chegar a casa. Quase nem olhei para a paisagem. Ao chegar a Portugal senti o sol incomparavelmente mais quente que nas zonas por onde passeamos antes, e como dei a dica do protector solar mas me esqueci de o usar, apanhei um escaldão no nariz, que ficou tipo pimento.
Depois da fronteira começamos a ver muitos carros de matrícula francesa, suíça e luxemburguesa. Com a aproximação de Agosto é evidente que os nossos emigrantes estão a chegar aos magotes e cheios de pressa para abraçar a família.
Numa bomba de gasolina, onde entramos para abastecer o depósito, a funcionária estava a complicar a vida a um freguês, aos gritos com ele e a tratá-lo abaixo de cão. Nesse momento pensei "estamos mesmo em Portugal e quase a chegar a casa, iuupi!!". E estávamos.

FAQ (ou perguntas frequentes):

Custa muito fazer estes quilómetros todos de mota? 
Como é que tu, que nem sequer tens 1,60m conseguiste aguentar a sova?
Sim, custa, o melhor é dividir estiradas grandes por vários dias. Consegui aguentar a sova porque não há outra alternativa. Quando já estamos na mota temos que chegar e pronto, por isso penso que é uma questão psicológica. À partida, o corpo humano aguenta mais do que aquilo que esperamos, por exemplo, depois de ter um bebé, uma coisa deste tipo é peanuts =)

Usaste toda a tralha que levaste na mala?
Sim, usei praticamente toda a tralha, excepto um vestido, porque logicamente não se anda de mota de vestido e para sair da estalagem tínhamos que andar de mota sempre. No entanto voltaria a levá-lo porque uma miúda que se preze está preparada para todas as ocasiões.

Se pudesses mudar o conteúdo da bagagem, fá-lo-ias?
Sim, levava tudo o que levei e levava ainda mais sandes de atum. Acrescentava também uma mala para ter espaço para trazer coisas de lá. Tipo um nenuco para a minha bebé.

Porque é que as motociclistas que vemos nos anúncios têm sempre muito mais pinta do que as da vida real?
Porque elas nunca estão equipadas como deve ser. Estão sempre de blusa de alças ou de vestidos flutuantes e com o cabelo impecável, mas na prática isso não pode acontecer. Para andar na vida real temos que ter um blusão com protecções - que dá um aspecto de Powerangers e prende os movimentos -, luvas grossas - normalmente pouco delicadas -, capacete e botas compactas  - look Robocop total.
É verdade que se vêem no Verão pessoas de calções de ganga quando andam de moto, mas se por azar caírem (temos sempre que pôr essa malfadada hipótese), ficam com as pernas em fanicos. Foi com esta expressão que o Manel me convenceu a andar sempre totalmente protegida (e conseguiu). No leque de escolhas de equipamento existem coisas mais bonitas e mais feias, mas de uma maneira ou de outra o equipamento é essencial.

Se não se pode conversar, ouvir rádio, comer, beber, fumar na mota, o que é que se faz durante uma viagem tão grande?
Pensa-se. Pensa-se na vida toda. Na família, nos amigos, pensa-se nos que já partiram, nos momentos em que fomos felizes, nos erros que cometemos, no que é que vamos melhorar, pensa-se nos projectos de vida, no que nos atormenta e como vamos resolver, no que vamos construir, no animal de estimação, na casa, desorganizada, pensa-se quem vamos abraçar, pensa-se nas coisas que conseguimos fazer, pensa-se nos sonhos, pensa-se no tempo...
É isso. É como um momento de isolamento espiritual que demora tanto quanto o tempo da nossa viagem. As costas doem, mas vale a pena. E o Voltaren ajuda a curar. O Voltaren cura tudo.

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