25 de agosto de 2014

AINDA A ARROGÂNCIA, MAS DESTA VEZ CLASSE A


Hoje fui comprar dois livros a uma livraria "bem frequentada" mas quando saí do estabelecimento verifiquei que pessoa que me atendeu tinha cobrado apenas o livro mais barato. Como tinha sido bem atendida e estava com o síndrome Madre Teresa de Calcutá decidi ser correcta, voltar atrás, dizer-lhe o que tinha acontecido e pagar os dois livros. Decorreu apenas meio minuto, mas quando cheguei ao balcão já não estava a rapariga simpática e sim uma senhora entrunfada e enfadada, que me olhou dos pés à cabeça. Como não tenho um penteado armado com laqué, não uso camisa com logotipo nem digo "caturreira" (uso roupa mais descontraída, o que não significa que não tenha maneiras) fui logo tratada com certa arrogância. Ainda por cima levava um saco de livros na mão, a cena indiciava claramente uma reclamação, portanto toca a arrebitar cachimbo. Pedi para falar com a pessoa que me tinha atendido antes, ao que a Morticia-Addams-das-livrarias me respondeu secamente "Ausentou-se. Do que se trata?". Expliquei a situação, que tinha pago um livro e vinha pagar o segundo, em falta. Nesta altura apanhei a senhora de surpresa, mas como a dita já tinha começado a atender-me num registo de superioridade, o orgulho foi mais forte, e não conseguiu inverter o comportamento, por isso em vez de agradecer logo, começou a bufar e a dizer para o ar "ai, vou ter que falar com a funcionária", ameaçando já um raspanete à rapariga. Apressou-se a efectivar a compra e no fim conseguiu sussurrar um comprometido "obrigada pela honestidade", que nessa altura me caiu tão mal como um pequeno-almoço de couve lombarda com lentilhas. Durante todo o processo fez um único sorriso, forçado.
E pronto, foi assim que a boa acção do dia se transformou em arrependimento imediato. Na realidade podia ter seguido caminho em direcção a casa, feliz da vida, com um livro à borla no saco, mas para não ser uma megera fiz o contrário e fui provar que a geração não é rasca, e depois levei com a gerente pobre e mal agradecida, que para além de não ser humilde foi de certeza encher a cabeça da empregada com recomendações interplanetárias, azedas e autoritárias. The power of little power… Que bom.

1 comentário:

  1. Devias ter escrito o nome da livraria e descrito essa senhora ao pormenor.

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