24 de agosto de 2014

CONHECI A WEDNESDAY ADDAMS OU A ARROGÂNCIA INFANTIL


Estivemos a socializar com crianças de muitas idades e a minha noção de infância sofreu um choque traumático. Num determinado momento aproximei-me com a Zola de um local de brincadeiras ocupado por dois meninos mais velhos. Depois de ouvir repetidamente a frase "aqui não se pode entrar", "este lugar é reservado" e "a porta está trancada, só nós é que podemos estar aqui", acatei os avisos e fiquei do lado de fora, a respeitar os limites impostos pelas crianças que já lá estavam. A determinada altura a Zolita debruçou-se para a zona proibida para apanhar um brinquedo, e logo uma mão intransigente se esticou para a barriga dela, a empurrar e a deixar claro que ali ela não podia estar. Só que a mão devia ter uns 8 anos e a Zola só tem um, de maneira que tive que chamar a atenção da miúda para o facto de a minha filha ser apenas uma bebé. Fui fulminada por 2 olhos pouco satisfeitos e passado um momento ouvi a criatura irritante dizer ao amigo: "O que achas que podia ser bom para entreter um bebé? Uma tesoura, talvez…". Nem queria acreditar nos meus ouvidos e acho que ela teve sorte por estarem ali mais adultos, porque a minha vontade foi algo muito próximo a agarrá-la por um braço, encostá-la à parede e com uma tesoura fazer-lhe um corte de cabelo à monge tibetano. E depois dizer-lhe: "Estás a ver? É para isto que as tesouras servem." Mas não disse nada. Ela era uma criança e por isso fiquei caladinha (mas a explodir de raiva) e tirei dali a minha filha assim que foi possível. Com a breca, que miúda macabra.

P.S. (Isto leva-me a acreditar que às vezes quando ouvimos mães de sorriso amarelo a comentarem para outras mães coisas do tipo "não faz mal, são só crianças", na verdade elas estão a pensar "meu diabrete, se eu te apanho torço-te esse pescoço até pareceres um cordel")


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