30 de junho de 2015

MEXICOLA, A MÃE MAIS FRAQUINHA DO UNIVERSO


Desde que começou a ver a Angelina Ballerina, a punk Zola quer dançar como ela. E sem ninguém lhe explicar como, só a observar os desenhos da Angelina Ballerina, aprendeu a fazer umas piruetas de perna levantada. Ontem, numa das demonstrações, caíu e bateu com a cabeça no vaso das suculentas. Quando se levantou tinha o sobrolho cortado e começou a jorrar sangue por todos os lados.

O Manel pediu ajuda, panos, gelo, pensos, betadine e eu fui tentando dar resposta, mas nestas alturas, em vez de ser aquela mãe forte que aguenta tudo, o meu organismo convence-se que o melhor é mesmo não ver nada e decide desmaiar rapidamente. Estrelas brancas enormes começam a aparecer nos meus olhos e tenho que fazer um grande esforço para contrariar a fraqueza. Depois tenho quebras de tensão gigantes e em vez de estar preparada para ajudar a minha filha numa emergência, tenho que me atirar para o chão para não cair para o lado.

Então a história foi que enquanto ele tentava estancar a hemorragia, eu, lingrinhas, ia-me deitando onde calhava: no corredor, na casa de banho, no quarto, etc. Não satisfeita com esta atitude fracota ainda me deu para vomitar, ou seja, tentava preparar o algodão, o betadine, etc, e ia virando a cabeça para a banheira, para o tapete, sem me conseguir controlar. Um cenário meio tribal. Até a miúda estava mais composta que eu, e quando me viu naqueles preparos perguntou se eu estava doente. E o pai disse-lhe: sim, a mamã está muito doente.

Às 22h, depois do hospital, das urgências, dos pontos (aí já estive com uma atitude um bocadinho mais corajosa, vá lá), e de entrarmos no carro com um olho todo negro e fechado a punk Zola disse de forma muito determinada "Ir para a cama agora não mamã, a cama é muito perigosa", e eu disse "claro que não querida, a cama é tão ou mais perigosa que dar cabeçadas em vasos, é de evitar a todo o custo". E pronto, foi assim que percebi que tenho qualquer coisa anti-instintiva. Supostamente deveria manter a calma e ajudar, mas faço exactamente o oposto. Vou tentar descobrir como é que se ultrapassa isto, que já me aconteceu duas vezes e me deixa aborrecida até mais não, mas o importante agora é que estes lindos olhos verdes-cinzentos-sem-cor-nenhuma-em-concreto fiquem bons.


4 comentários:

  1. Ooooh! Desculpa mas o texto está tão bem que até deu vontade de rir. Mas, pior são as pessoas que dizem que fazem e acontecem e depois no momento em que é preciso... zás... caem para o lado. Eu, em caso de aflição, choramingo. É ridículo. Mas, passada a aflição, que a Punk Zola recupere rapidamente e vais ver que não tarda já te estás a rir da situação.

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    1. Pois, isto é uma daquelas reacções inesperadas que aparecem quando dá menos jeito, mas tenho que tentar resolvê-la. Às vezes imagino-me sozinha com a bebé em casa, a acontecer um acidente qualquer e eu a ligar para o 112 antes de desmaiar e dizer: venham depressa, somos duas doentes, é a minha bebé que se magoou e sou eu que não aguento ver sangue. Enfim, patético mas possível de acontecer =/

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  2. ahahahahahhhhhahahhaha
    desculpa, mas adorava ter visto isso! Toda a gente tem fraquezas, pá, não te martirizes.

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    1. o quê, ver-me vomitar sem parança? se quiseres para a próxima ligo-te eheheh

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