13 de outubro de 2015

RELATOS DE NOITES COM OS OLHOS ABERTOS

Em Setembro a minha filha lutou contra o fim das férias.
A minha filha lutou contra ficar de manhã na escola.
Todos os dias luta contra voltar para casa ao fim do dia.
Luta contra sentar-se na cadeirinha à hora das refeições.
Luta contra não poder ver televisão diariamente.
Contra o pequeno-almoço não ser papa.
Luta contra ter que lavar os dentes.
Luta para se levantar de manhã.
Luta contra a brincadeira que eu escolhi.
Luta contra não poder sair de casa com 16 brinquedos na mão.
Luta pelo direito de usar chupeta.
Luta porque quer ficar mais tempo no parque.
Luta todos os dias, muitas vezes.
Ninguém me manda ter ido a tantas manifestações quando ela só tinha meses de gestação.

Eu pensava que ela estava melhor, mas a luta a que ela dedica mesmo todas as suas energias
continua (infelizmente) a ser contra o sono. Ao passo que esgota as minhas e as do pai. É mesmo difícil. Desde sexta-feira sem dormir, a visão começa-se a toldar, os três temos olheiras, olhos vermelhos e pouca paciência.

A capacidade de lutar é uma coisa que admiro nela, (e por ela ser assim rufia é que lhe chamo carinhosamente punk). Sempre desejei que tivesse essa força interior, que nestes tempos em que vivemos é uma característica valiosa, mas Punk Zolita, escusavas de nos triturar desta maneira.
Hoje o argumento foi que queria água, mas tinha que ser num copo (eram 4h da manhã e eu estava a usar um biberão). Não pude ceder, senão faz picadinho de mim. Demorou uma hora para voltar a adormecer e debateu-se com todas as armas para não me deixar dormir (a estratégia foi repetir as palavras "água num copo" sem parar, ao estilo de uma tortura pidesca.)

Há pouco tempo começou a dormir duas noites ou três noites seguidas, andávamos com um sorriso de orelha a orelha e eu pensava, afinal isto é que é ter um bebé que dorme! Espectacular! Consegui entender muito melhor os pais que têm vários filhos seguidos entre outros mistérios que me inquietavam a alma. Enfim. (to be continued, mas com melhores notícias, espero).


2 comentários:

  1. Confesso que andava a sentir-me sozinha e má mãe... estou com ela desde que acorda e vai para a escola e em 80% desse tempo está a chorar (ou a tentar fazê-lo com muita força e muita determinação) por motivos variados (basta ir à tua lista e escolher um ou a combinação de vários) e quando a vou buscar ao fim do dia começa a chorar (lá está, ou a tentar) assim que a sento na cadeirinha do carro por outros motivos tão válidos quanto querer iogurte mas ter que ser ela a segurar na colher e eu no copo e não poder haver alterações a este padrão (ou a qualquer outro que ela invente nesse dia) ou querer assoar o nariz a um guardanapo e não a um papel de cozinha... E eu culpo-me porque não lhe faço as vontades e ela chora e culpo porque lhe faço a vontade (confesso que a determinada altura é só porque já não a consigo ouvir) e sinto que estou a criar um monstro! Sempre quis que ela tivesse determinação e personalidade... mas... tem que ser a toda a hora?! Se descobrires uma solução, avisa!

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    1. É mesmo difícil ter a balança equilibrada e decidir quando podemos fazer as vontades e quando temos que dizer basta. Às vezes durante estas birras estridentes eu decido abandonar o quarto ou o sítio onde ela está a chorar e ela fica ainda mais furiosa, mas é uma maneira de a fazer ver que não posso tolerar birras a toda a hora. Acho mesmo que os bebés guardam estas coisas especiais para os pais mas de vez em quando penso que as birras são uma fúria descontrolada que eles não conseguem controlar. No outro dia a minha filha chegou ao pé de mim e disse: Mamã, eu quero fazer uma birra. Fiquei quase comovida, porque percebi que ela pode não ter escolha, aquilo sai e pronto. A solução deve passar por ser paciente. Glup glup =) Boa sorte e beijinhos

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