15 de novembro de 2015

NÓS SOMOS PELA LIBERDADE


Esta é a forma como costumo ilustrar a punk Zola. Sai sempre igual. Hoje desenhei-a numa homenagem à liberdade. Ela adora tocar guitarra, xilofone, maracas.
No dia 13 à noite fiquei muda, e pensei que não iria conseguir sequer manifestar-me em relação aos ataques sofridos na Europa. Mas afinal consegui, através de uma caneta. Porque neste blog somos pela liberdade. Liberdade para escrever, desenhar, fotografar, tocar música, sonhar, expressar opiniões. E não queremos que ninguém nos roube isso. Nem agora, nem nunca. Fiquei congelada quando vi o que tinha acontecido dentro do Bataclan. Quem lê este blog sabe que cá por casa respiramos música, gostamos dos Eagles of Death Metal, e estar na plateia do concerto deles seria (ou será) uma coisa perfeitamente normal.

Música é uma forma de diversão tão inocente, que ouvir dizer que as pessoas foram assassinadas por estarem num "local de perversidade" me deixou com uma úlcera gástrica. Perverso é chacinar os outros. Em Paris, em Beirute, no Congo ou na Nigéria. Em qualquer parte do mundo. Choca mais por ser dois quarteirões acima do nosso país, mas no lado oposto do mundo é igualmente injusto e cruel.

Muita tinta correrá sobre os atentados em Paris, muitas opiniões de destaque, mas neste cantinho pequeno não quis deixar de gritar a palavra LIBERDADE!
Nem calculo o quão difícil possa ser, mas espero que os sobreviventes dos atentados consigam limpar os destroços e tenham a coragem de se levantar. Coragem de beber café na esplanada e coragem de ir a concertos de rock. Porque ser livre é a essência do ocidente.

Post Scriptum/fiem-se em mim. A televisão acertou no facto de que os Eagles of Death Metal são uma banda americana que estava a tocar no Bataclan na altura dos atentados, a restante informação, infelizmente, tende a acertar ao lado.

São uma banda de garage rock, com algumas músicas que eu adoro dançar, neste momento com concerto marcado para Lisboa (esgotado). O vocalista é o Jesse Hughes, que tem uma forma de dançar extravagante e divertida, a condizer com o som que toca. Outro membro da banda é o Josh Homme, vocalista e guitarrista dos Queens of the Stone Age, fundador de outro projecto musical muito giro chamado Desert Sessions e também membro dos Them Crooked Vultures. Para além da música propriamente dita, isto é o pouco que sei e está longe do que a TV diz.

Não são uma banda satânica nem de death metal, não são uma banda de heavy metal que toca versões dos Eagles, e a tradução do nome não é Anjos da Morte. (Quanto a mim o nome da banda é bimbo, mas já percebi que é de propósito porque eles são uns gozões). Aconselho o pessoal a ouvir um ou outro tema antes de passar informação estrambólica.

Post Scriptum /oh não! A banda cancelou o concerto cá...bolas. Tinha bilhete. Snif, snif.

6 comentários:

  1. "ser livre é a essência do ocidente" - tão bom!

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  2. Bonito! Tudo! As palavras, a ilustração, as ideias. Melhor é difícil. Sempre me senti muito europeia, porque sempre me senti segura e livre nesta Europa. Agora sinto angústia ao ver aquelas ruas cheias de polícias armados, como se fosse um estado policial.

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    1. Obrigada Ana! Acho que isso é o que faz do terrorismo uma arma tão multifacetada. Derramam sangue, deixam o mundo perplexo e um rasto de medo. São desumanos.

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  3. A punk Zola fica linda de cartaz. :)

    É realmente preciso muita coragem para se continuar a viver com uma certa tranquilidade neste mundo que é o nosso hoje em dia. Mas não temos outro remédio que não seja tentar contrariar ao máximo os desígnios de gente que não é humana.

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    1. Obrigada Mam'Zelle. Não temos outro remédio e vamos conseguir!

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