12 de fevereiro de 2016

10 FOTOS DE CARNAVAL TRANSMONTANO

Queimada


Caretos a chocalhar uma miúda


Facanito, um careto criança (atenção, alguns chocalham as mulheres com a mesma energia dos adultos!)




Caretos a serem endiabrados, abanam os carapuços na queimada


Nasci numa zona do país onde o Carnaval se festeja com ânimo. Lembro-me de ser criança e a minha mãe me mascarar, do cheiro do creme que me punha na cara para as purpurinas colarem na pele, de construirmos os fatos e de fazer birras para não usar determinada peruca, sempre foi uma festa presente. 
Nas cidades à volta o Carnaval é genuíno, com os ensaiados na Nazaré, entrudo à mistura e alguns desfiles tradicionais (sem estrangeirismos). De vez em quando ainda me junto com amigas para fazer uma bela carnavalada: perdemos horas a fazer as máscaras e saímos à noite sem complexos com o figurino. Em Lisboa é diferente, a tradição não é forte e regra geral as pessoas não gostam de Carnaval porque está associado a ovos na cara, farinha e partidas do género.

Este ano fomos procurar as raízes desta festa pagã e ver pela primeira vez como é o Carnaval mais ancestral do país, em Podence, e adorei. De tudo o que vi até agora em matéria de Carnaval é o mais genuíno e é espectacular que a tradição se mantenha. Os fatos são autênticas obras de arte. 
Basicamente os caretos celebram num ritual pagão o fim do Inverno, dão as boas vindas ao sol e aos dias maiores que se aproximam e pedem boas colheitas agrícolas. Nestes dias os homens da aldeia assumem o personagem de careto, um diabrete folião, vestem fatos feitos de mantas, com franjas de lã e chocalhos e usam máscaras de lata. Escondidos atrás do anonimato tornam-se donos da aldeia, assaltando livremente adegas e fumeiros e chocalhando as raparigas num estranho (e ruidoso) ritual de fertilidade. Às vezes surgem inesperados, a correr de uma esquina qualquer e abanam todos os que estão no seu caminho.

Foi um Carnaval mesmo bem passado e 100% nacional. Seria bom que conseguissem manter a tradição tal como ela é, sem grandes artifícios ou desvios do que é original. Os caretos só têm piada quando estão a ser eles próprios, endiabrados, sem lei e cheios de energia. Conta quem sabe que esse é o verdadeiro espírito chocalheiro.


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