8 de março de 2016

4 COISAS DE HOJE

1. Um novo ritual: fui a casa de um tio e descobri que tem uma mega biblioteca de livros maravilhosos. Combinámos que podia trazer dois de cada vez. Estas foram as primeiras escolhas e já percebi que dão pano para mangas. Estarei muito ocupada nos próximos tempos, porque a juntar a estes trouxe ainda "As mulheres do meu pai" do José Eduardo Agualusa. 


2. Ser biológica: tem sido raro comprar produtos biológicos, mas cada vez estou mais decidida a integrá-los na rotina cá de casa. Primeiro decidi que seriam os champôs, o gel de banho, os tampões, as pastas de dentes e os detergentes da roupa. Ontem fiquei completamente fascinada com uma mercearia que encontrei a caminho da fisioterapia (é verdade, lesionei-me a correr), e fiquei mesmo com pena que não exista uma assim ao pé de casa. É o Biomercado. Mas também há o Brio, entre outros mais pequenos, é uma questão de atenção. O Biomercado chamou-me a atenção por ser tão organizado e fresco. Tinha uma banca de frutas e legumes, leguminosas, secos, uma prateleira de chás cheia de opções, cafés, enfim, apeteceu-me fazer lá muitas compras. Acabei por trazer um chá de Giseng para acompanhar as leituras e substituir de vez em quando as litradas de café.



3. Amãezónia: é o projecto da Diana e da Rita, duas selvagens! Adoram as suas crias, mas querem continuar as ser mulheres dinâmicas e cheias de projectos, o que se há-de fazer a esta gente desgovernada? É um site novo, com uma perspectiva punk da maternidade, e vejam se isto não promete :
"Somos mães que trabalham e que às vezes dormem pouco, mulheres a tempo inteiro, malabaristas do tempo e do cansaço que às vezes – por deus – só querem beber uma cerveja. Somos mais felizes desde que fomos mães mas lembramo-nos perfeitamente que também éramos felizes antes. E também nos lembramos de uma altura em que não tínhamos de tomar vitaminas porque não andávamos tão ridiculamente cansadas.A vida não começa na maternidade. Nem acaba. E ser mãe é difícil como o raio." Espreitem o site aqui e façam like no Facebook aqui, está fresquinho, abriu hoje.


"Corre como uma rapariga", significa "Corre o mais rápido que consegues".

4. Dia da Mulher: Este é outro tema do dia. Houve uma altura em que me questionava sobre a existência e a importância deste dia, mas cada vez mais acho que é ultra necessário. Os meios de comunicação têm tido um papel muito importante na minha mudança de opinião, mas também a "guerrilha de rua". Lembro-me do momento em que ia de carro e vi, pintado à mão num muro, em letras grandes, a frase. Não me lembro exactamente do conteúdo, mas estampava ali, preto sobre branco, o número de mulheres mortas por violência doméstica em Portugal. Engoli em seco. Pensei "Estamos em pleno séc. XXI e esta merda acontece." A partir desse dia pensei que fazia todo o sentido continuar esta campanha, falarem disto vezes e vezes sem conta, porque numa altura em que devíamos ser civilizados, matamos mulheres à porrada. O termo é mesmo este, apesar de me custar até escrever isto de forma tão bruta. 
Quando soube que teria uma filha confesso que suspirei. Sempre pensei que um menino teria uma vida mais fácil num mundo tão agressivo (ainda) para as mulheres. Claro que rapidamente conclui que estava a ter um pensamento machista e percebi que não fazia sentido. Tenho uma filha e quero que ela seja uma guerreira, que nunca se deixe pisar, que nunca se deixe discriminar e sei que isso só depende da educação que lhe der. Por isso chamo-lhe pirata, chamo-lhe punk, incito-a a ser corajosa e competitiva, quero que ela lute pelos seus direitos, que suje o vestido a trepar às árvores, que corra, que seja mais que uma menina "só linda", que perceba que pode conseguir tudo aquilo a que está disposta, tudo para que no futuro possa ser simplesmente feliz. 
Assim concluí que o dia da mulher deve continuar a existir, e mais que isso, o tema deve estar na ordem do dia. Deve estar nas nossas cabeças. Nas cabeças das mães e pais das meninas, para lhes ensinarem que não são fracas, são iguais, não têm que se submeter a nada que não queiram. Nas cabeças das mães e pais dos meninos, para lhes explicarem a mesma coisa, para lhes incutirem outros valores, para os ensinarem a ser participativos nas tarefas de casa, a não serem machistas. Para que um dia não vivam num núcleo familiar onde a mulher passa, limpa, cozinha e põe a mesa, enquanto eles esperam que tudo fique pronto sem mexer uma palha. Isso era no tempo das nossas avós (infelizmente) e quem ainda o faz vive no passado, está ultrapassado, já era! Go girls!

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