26 de junho de 2016

LISBON MOTORCYCLE FILM FEST + O MEU CASCO












Fotos do meu amigo PAC

Este fim-de-semana foi muito especial porque decorreu o Lisbon Motorcycle Film Fest, uma iniciativa inovadora neste país à beira-mar plantado, que tive o prazer de ver nascer (mesmo germinar) e crescer, até se tornar real.  Participei com a equipa do festival a ajudar no que foi preciso e aproveitei para ver a exposição e alguns filmes. Dos que vi, que não foram todos, adorei o South to Sian (fotografia no seu melhor e paisagens mágicas perdidas no meio da Indonésia. Uma viagem de dois sortudos que paravam para mergulhar em tudo o que era onda e a andar de mota em cima de vulcões), e o Greasy Hands Preachers (sobre construtores de motos, alguns verdadeiros alucinados, que constroem à unha, máquinas de velocidade que são autênticas esculturas. Pode-se dizer que a construção de motos e a arte andam aqui de mãos dadas). Das curtas vi apenas a Nossa Senhora das Corridas, sobre as corridas de motos nas festas de Lousada. Basicamente é um documentário sobre a corrida nas festas da Senhora da Aparecida, que se faz a alta velocidade por entre andores, ruelas estreitas e centenas de pessoas a assistir, sem uma única barreira de protecção. Adrenalina à portuguesa. É um pequeno filme de mais ou menos 30 minutos que mostra o Portugal genuíno no seu melhor. 
Adorei a energia do festival e espero que a organização tenha vontade de continuar o projecto para o ano.

O meu casco
Uma das coisas boas deste festival foi que tive o prazer de ser convidada para participar na mostra de capacetes organizada pela Nexx - o X-Studio. O X-Studio convidou uma série de artistas muito diferentes (desde construtores de motos, a designers, artistas de lettering, etc.) para personalizarem um casco em branco. Adorei a ideia e disse logo que sim. Comecei a preparar o capacete em Abril ou Maio, já não me recordo bem. 

Parte I: testes
Fiz um brainstorming em família e apontei muitas ideias diferentes num papel. Mesmo as mais estapafúrdias. Confesso que o capacete final não foi o resultado da primeira tentativa. Primeiro decidi experimentar uma pintura muito à frente, que envolveu tinas cheias de água em dias de chuva. Foi muito divertido, gastei imenso dinheiro em materiais e dei bastante trabalho à minha mãe, que me ajudou muito, mas infelizmente o resultado não me encheu as medidas.

Parte II: voltar à estaca zero
Depois do fiasco tive que limpar tudo. Com diluente. Desde as unhas até aos cotovelos, passando pelo capacete e materiais envolvidos. A tinta não saiu da parte de dentro. Comecei a ficar nervosa - não podia estragar tudo, só tinha um casco, era uma única oportunidade. Recomecei de novo e voltei à lista de ideias. Desta feita decidi forrar o capacete com botões. Percorri a pé todas as retrosarias que conhecia, armazéns e lojas, para tentar encontrar os botões ideais ao melhor preço, mas eles não apareciam. Faltavam quatro semanas para enviar o capacete para a fábrica, para ser montado, e eu ainda não tinha encontrado o material perfeito.

Parte III: Gold Rush
Depois de muitas voltas, numa aldeia remota, perto da minha terra, descobri mais ou menos o que precisava e comprei 700 Kg de botões da avó. Com uma paciência de monge tibetano fui testando o encaixe dos botões um a um, para não deixar espaços brancos e fixei-os à base do capacete. Depois disso, o capacete, que estava planeado ser amarelo, laranja, vermelho e azul, passou a ser dourado. Portanto até nisso fui fiel ao projecto inicial.  

A primeira foto é do capacete já montado, na exposição, e as outras duas foram tiradas antes de ir para a fábrica. 
Quando cheguei ao Cinema S. Jorge e vi os trabalhos feitos pelos outros participantes fiquei agradavelmente surpreendida pelas ideias que lá estavam expostas e apeteceu-me trazer aquilo tudo para casa.

Depois de ter levado uma ensaboadela de filmes sobre motos, motociclistas e construtores, e ter ouvido muitas histórias sobre cultura motociclística, fiquei também com muita vontade de ter uma moto minha, para poder andar em liberdade com o vento a bater na cara, que é o que todos os motociclistas dizem ser a melhor parte da história. Mas dava jeito ser mais alta para ter uma moto grande e chegar com os pés ao chão. Espero que gostem do meu capacete, que se chama Gold Rush!
(É que fazê-lo foi mesmo uma corrida.)




3 comentários:

  1. Ui! Imagino a pressão de querer mesto fazer um casco brilhante com o tempo a passar...
    Para mim este Gold Rush está mesmo brilhante!!

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  2. Obrigada Sissi the bee! Houve dias em que pensei que isto não iria sair, que teria que desistir. Foi mesmo um trabalho de paciência, de fazer e refazer.

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